SIC segura o leme, TVI segue na esteira

Por a 8 de Setembro de 2000

José Eduardo Moniz prometeu uma TVI renovada em Setembro, capaz de acabar com a supremacia da SIC e equilibrar as audiências entre os três canais. Com o “Big Brother” não conseguiu destronar a estação de Carnaxide, mas levou a RTP 1 á terceira posição

Nos últimos dias, a “guerra das audiências” invadiu a imprensa nacional. A TVI prometia tornar-se numa nova televisão e equilibrar o share dos três canais comerciais. Nova imagem, nova informação, um concurso diário antes do principal noticiário do dia e o famoso “Big Brother” foram as apostas de José Eduardo Moniz. A SIC, habituada a liderar, respondeu sem grandes alaridos com um Dot mais generoso e com a estreia de Carlos Cruz, também a “oferecer” 100 mil contos por dia. Fora da competição, para já, esteve a RTP 1, que devido á transmissão dos Jogos Olímpicos adiou a nova grelha para Outubro.

Logo na segunda-feira, dia seguinte á primeira emissão do “Big Brother”, a TVI emitia um comunicado com o título «O “Big Brother” arrasou». Neste, a estação de Queluz afirmava que entre as 20h50 e as 23h20 a TVI liderou as audiências, com 42,4% de share, enquanto a SIC se ficou pelos 39,7% e a RTP 1 pelos 13,3%. No comunicado lia-se ainda que no conjunto do dia a TVI foi o segundo canal mais visto, com uma quota de 26,6%, e com a SIC a obter 41,7% e a RTP 1 24,5%. A SIC não gostou e passou ao ataque. No final do dia, a direcção de programas e informação da estação de Carnaxide fez saber que a TVI estava a proceder a «uma campanha de desinformação», uma vez que «desesperadamente procura esconder o dado essencial das audiências do dia de ontem (domingo)». A SIC adiantava que, de acordo com a Marktest, a novela “O Cravo e a Rosa” obteve no domingo um share de 42,7%, face ao programa “Big Brother”, que registou 42,4% na gala de abertura. Na quarta-feira, dia 6, a TVI anunciava: «TVI renovada bate as novelas brasileiras». Ou seja, «o “Big Brother” em directo com Teresa Guilherme, onde se verificou a saída da primeira concorrente da casa, registou um share de 41,1%, contra os 40,8% da telenovela “Laços de Família” e os 39,7% da telenovela “Aquarela do Brasil”.

O certo é que durante três dias consecutivos, e de acordo com dados The Media Edge, Audipainel, Marktest Audimetria, a TVI ocupou o segundo lugar no ranking das audiência, colocando sempre a RTP 1 em terceiro lugar. No domingo, dia 3, a gala de apresentação do “Big Brother” entrou para a tabela dos 30 programas mais vistos da semana de 28/8 a 3/9, ocupando a sexta posição. Neste ranking a SIC surge 18 vezes, a RTP 1 nove e a TVI três. A SIC lidera o share todos os dias.

O dia-a-dia dos três canais

No domingo, o “Big Brother” foi o programa mais visto, com uma audiência média de 14,7% entre os adultos com mais de 15 anos e um share de 39,9%. Em segundo lugar surge a novela o “Cravo e a Rosa”, com uma audiência de 14,3% e um share de 40,9%, e em terceiro o “Jornal da Noite”, com uma audiência de 12,8% e um share de 41,7%. O quarto lugar foi ocupado pelo “Primeiro Jornal”, novamente um programa da SIC, e a primeira presença da RTP 1 no ranking diário surge na quinta posição, com o jogo Estónia vs. Portugal a contar para o Campeonato do Mundo de Futebol. O jogo obteve uma audiência de 11,8% e um share de 57%. No Top 15 diário, a SIC e a RTP 1 surgem com seis presenças e a TVI apenas com três (“Big Brother”, “Jardins Proibidos” e “Directo XXI”). O maior share do dia foi obtido pela SIC, com 39,1%. Em segundo lugar surge a TVI, com 24,9%, e em terceiro a RTP 1, com 22,9%.

Na segunda-feira, o “Big Brother” já não despertou tanto interesse. No ranking dos programas mais vistos, desceu da primeira para a sexta posição, com uma audiência de 12,9% e um share de 31,1%. A SIC ocupou as primeiras cinco posições e colocou em segundo lugar a estreia da mais recente cara da estação: Carlos Cruz, com “A Febre do Dinheiro”, conquistou uma audiência média de 19,5% e um share de 47,1%. A novela “Aquarela do Brasil”, outra estreia, ocupou a quarta posição, com uma audiência de 15,3% e um share de 40,9%. A primeira posição pertenceu á novela “Laços de Família”, a terceira ao “Jornal da Noite” e a quinta á novela “Uga Uga”, transmitida perto das 19h00. Em termos de share global, a SIC ocupou a primeira posição, com 43,3%, a TVI a segunda, com 23,9%, e a RTP 1 não chegou aos 20 pontos percentuais, ficando-se pelos 19,4%. No ranking diário, a SIC marcou presença oito vezes, a TVI quatro e a RTP 1 três. O concurso “Dinheiro á Vista”, que marca a transferência de Luísa Castel- -Branco do CNL para a TVI e com o qual José Eduardo Moniz pretendia captar audiências para o período que antecede o “prime-time”, não figura no ranking, tal como o “Jornal Nacional”, que num estúdio totalmente renovado traz de novo Manuela Moura Guedes aos ecrãs da estação.

Na quarta-feira, dia 5, segundo dia da nova grelha, “A Febre do Dinheiro” conquistou a liderança, com uma audiência de 18,4% e um share de 44,9%. A telenovela “Laços de Família” ocupou a segunda, com uma audiência de 16,8% e um share de 40,6%, e o “Jornal da Noite” a terceira, com uma audiência de 16,2% e um share de 46,9%. O “Big Brother em Directo”, programa no qual se assistiu á saída da primeira “irmã” — conhecida por Riquita, a única concorrente casada e com filhos — e aos restantes “irmãos”, uns mais e outros menos emocionados, a nomearem os companheiros que devem abandonar a casa, ocupou a quarta posição, com uma audiência média de 15,2% e um share de 39,1%. O “Jornal da Noite” voltou a ocupar a terceira posição, com 16,2% de audiência e 46,9% de share, e a telenovela “Aquarela do Brasil” a quinta, com uma audiência de 13,9% e um share de 37,8%. Mais uma vez, o “Jornal Nacional” — que deu em cacha a demissão de Nogueira Leite, secretário de Estado do Tesouro e Finanças —, e o “Dinheiro á Vista” não figuram neste ranking, no qual a SIC ocupa novamente oito lugares, a TVI três e a RTP 1 quatro. A “Grande Entrevista” ao ministro mais polémico deste Governo, Fernando Gomes, surge na última posição, com uma audiência média de 6,3% e um share de 19,1%.

Para já, e com base na análise destes três dias, a SIC continua líder de audiência, mas a TVI conseguiu destronar a RTP 1. A “guerra” volta a “aquecer” no dia 18, quando a estação estatal começar a transmitir o concurso “Quem Quer Ser Milionário”, a concorrer directamente com “A Febre do Dinheiro”. Como trunfo, a estação de Carnaxide conta com o “DOT”, presente em todo o horário nobre, que obriga os telespectadores que querem habilitar-se aos prémios do “redondinho da sorte” a não mudarem de canal durante todo o programa.

Quem vê o quê

Entre domingo e terça-feira estrearam-se algumas das novas apostas da SIC e da TVI. A The MediaEdge Research Department traçou o perfil dos seus telespectadores, com base na primeira emissão.

Big Brother (TVI): O programa mais esperado do ano chegou aos ecrãs dos portugueses no domingo, dia 4. Neste dia foi visto sobretudo na Grande Lisboa (23,6%) e no Litoral Norte (22,4%) e pelas classes C2 (32,8%) e C1 (28,7%). Os telespectadores com mais de 55 anos foram os que demonstraram menos interesse por este concurso, cujas audiências surgiram bastante equilibradas nas outras faixas etárias.

A Febre do Dinheiro (SIC): Apresentado por Carlos Cruz, este concurso é uma versão do Greed (estrado este ano nos EUA), corrigida e adaptada para Portugal. Cada sessão conta com seis concorrentes, que lutam por um prémio que pode chegar a 100 mil contos. A estreia ocorreu no dia 4, ás 20h50, e teve a ajuda do Dot. O concurso foi mais visto no Interior (27,3%) e em Lisboa (19,2%), sobretudo pela classe D (41,5%) e pelo sexo feminino (62,8%). As pessoas com mais de 64 anos foram as maiores telespectadoras (21,7%), seguidas pelos indivíduos com idades compreendidas entre 55 e 64 anos. Foi junto da faixa etária 25/34 que o concurso obteve a menor preferência, com apenas 10,1% de telespectadores.

Dinheiro á Vista (TVI): Este concurso marca o ingresso de Luísa Castel- -Branco na TVI. Centra-se em perguntas de cultura geral, divididas em dez temas, e é emitido diariamente antes do “Jornal Nacional”. O primeiro programa foi para o ar no dia 4, ás 19h22, e foi visto sobretudo no Litoral Centro (23,8%) e no Litoral Norte (22,9%). A classe C2 foi a que mais aderiu ao concurso (38,5%), com as audiências muito divididas entre os telespectadores dos dois sexos: mulheres, 50,7%, e homens, 49,3%. A faixa etária que mais viu o programa foi a situada entre os 25 e os 34 anos.

Aquarela do Brasil (SIC): Esta novela da Globo conta a história de um triângulo amoroso vivido no auge da Segunda Guerra Mundial. É exibida em horário nobre, logo a seguir aos Laços de Família. O primeiro episódio foi para o ar ás 21h47 de segunda-feira e foi visto sobretudo no interior do país (32%). A classe D foi a que mais aderiu ao programa, com 42,2% e as mulheres lideraram as audiências, com 68,4%. 23,6% dos telespectores tinham mais de 64 anos.

Jornal Nacional (TVI): Manuela Moura Guedes voltou a apresentar o principal noticiário da estação, num estúdio totalmente novo e com um estilo que pretende diferenciar este telejornal dos restantes. No segundo dia de exibição conseguiu uma cacha: a demissão do secretário de Estado do Tesouro e Finanças. No dia 4 foi mais visto no Litoral Centro (28,5%), no Litoral Norte (18,9%) e na Grande Lisboa (18,3%). A classe C2 foi a maior adepta do novo jornal, com uma percentagem de 45%. 53,1% dos telespectadores que sintonizaram a TVI a esta hora pertencem ao sexo feminino, preferido sobretudo entre a faixa etária 25/34 anos.

Os “actores”

Das 12 “personagens” que inicialmente habitaram a casa do “Big Brother” já só sobram onze. A concorrente conhecida como Riquita foi a primeira excluída, na terça-feira, em directo. Por ser casada e ter filhos? Por ter adoptado a postura de “mãezinha”? Para dar mais liberdade aos que ficam? Não se sabe, a escolha foi dos telespectadores. Os restantes “irmãos” indicaram, uns mais, outros menos emocionados, os nomes a excluir na próxima votação. Ricardo V, Marco e Telmo foram os eleitos. Conheça-os…

Ricardo V. , 30 anos, Parede: É jornalista free- -lancer e descreve-se como simpático, calmo e bem-disposto, sensível e amante da Natureza. Já foi comissário de bordo e estagiou como cameraman numa estação de TV. Orgulha-se de ter escrito um conto, publicado na revista “Xis”, e o seu maior sonho é escrever um livro. Esperava basear-se na experiência do “Big Brother” para o fazer… Seis dos 11 candidatos votaram na sua saída.

Telmo, 23 anos, Leiria: É sócio-gerente de uma empresa de serralharia civil. Orgulha-se de aos 17 anos ter sido o mais jovem para-quedista do Corpo de Tropas Paraquedistas. O seu objectivo de vida é «não ser conhecido pelo que sou, mas pelo que fiz». Como é uma pessoa muito determinada, acredita que vai ficar na casa do “Big Brother” até ao final. Três dos seus «irmãos” acham que deve abandoná-la.

Marco, 24 anos, Carregado: É vendedor e formador numa empresa de produtos químicos e industriais. Pratica kickboxing e é treinador de atletas de competição. Orgulha-se de se ter voluntariado para os Fuzileiros aos 17 anos. Concorreu ao “Big Brother” pelo desafio que representa e por achar que é capaz de o superar. É talvez o mais expansivo dos concorrentes. Se calhar demais, consideram os três que votaram na sua saída.

Saiu a primeira “irmã”

Riquita, 28 anos, Guimarães: Dos 12 “irmãos”, era a única casada e mãe de dois filhos. É professora de Inglês no ensino secundário, tem espírito de liderança e gosta de se sentir útil. Inscreveu-se no Big Brother por achar que se trata de uma boa oportunidade para dedicar algum tempo a si própria. O dinheiro ajudaria a pagar um grande investimento que fez na área da educação. Quando Teresa Guilherme anunciou que teria de abandonar a casa, despediu-se emocionada.

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