Sai de Baixo é Tudo em Cima

Por a 22 de Setembro de 2000

Edite Duque – Wilkens Portugal – DIRECTORA-GERAL

Para os mais incautos, trata-se de um artigo opinativo. Esqueci

todavia de perguntar que língua e corpo usar. Daí decidi ser

português Sai de Baixo, corpo justo para quem não quer ter chatice

de ler e entender.

Português Sai de Baixo porque estou vidrada na série. Justo nessa

que passa a hora de gente no GNT cada domingo ás 21h30. Adoro

televisão, mas cada vez tenho mais drama em segurar o meu “zapinho”.

Sai de Baixo tem a virtude de o deixar quieto no meu colinho.

Adoro o Caco Antibes, aquele que odeia festa de gente suarenta de

copinho de cerveja de plástico na mão cheia, de mulher gorda se

estropeando por um croquete.

É preciso ouvi-lo dizer naquela voz de barítono feita em palco de

teatro: “Tenho hõorror”. E escutar o seu peremptório: “Pára com

isso”.

Até a faxineira Neide trabalha escravamente, mas só exibindo a sua

qualidade de membro do elenco.

Ninguém naquela série de humor é mão-de-obra desqualificada. Só

mesmo vendo dançar, cantar, imitar e se divertir como louco o

porteiro Ribamar, sempre de olho na gostosona e boasuda Dona Magda,

talentosa e lesa mulher daquele príncipe dinamarquês de profundo

olhar azul.

Que generosidade e paciência a do grande chefe de família/empresário

Tio Vává, possuidor de cartão de crédito de uso democrático.

VáváCerto que tudo VáváBem e a criatividade há de sobra naquela

cabeça.

Valeu bem deixar naquele continente uma língua, que rola daquele

jeito e ecoa numa encenação de brincadeira alucinante onde o sai e

entra, o esconde e apaga, acende não dá para entender quem se

diverte mais, se quem assiste se quem magicamente compõe toda aquela

louca fantasia. Quem disse que o Português é pesado para fazer humor

e cantar?

É impossível falar mais sobre aquele elenco de luxo sem me babar.

Lindos, talentosos e versáteis. Sabem dividir louros e engolir sapos

vindos de outras histórias. O despique estimula e dá inveja não

saber o que fez Cassandra nos bastidores da “Última Vítima”.

Confesso que estou gostando até dos beijos.

De todas as séries de humor que qualquer canal já passou, esta é a

melhor de sempre. E falada em Português, com segundos sentidos que

se apanham num ritmo de que se aprende a gostar.

A SIC concede-lhe favores de madrugas impróprias, ou talvez não,

audiência é soberana. Ontem, por exemplo, estava anunciada, mas o

Benfica e o Amadora resolveram ir para o relvado á 01h00 da matina e

adeus Caco Antibes.

Pouco dada a noitadas televisivas e a esperar mesmo pelo que gosto

muuuiiito!, descobri-a com a graça de todos os santos da Baía aos

domingos na GNT em horário nobre, i.é., horário de quem gosta de

fazer outras coisas como ler… e….

Como isto de artigo de opinião é traiçoeiro, quem sabe só dois ou

três têm a fortuna de saber sobre que opino.

À melhor maneira deste tipo de séries teatrais, Sai de Baixo é

filmada ao vivo. Para quem assiste com atenção, dá para sentir

poucos cortes ás buchas dos actores. Em gíria brasileira se diz,

creio, cácás.

É uma grande lição de teatro, com aquela característica de trupe de

circo quase família, sendo este um alto louvor (perdão pela

imodéstia, que não é meu forte) que expresso a este magnífico grupo

de seis e seus convidados.

A este talentoso resultado seguramente não é alheia a liberdade de

direcção de José Wilker, que sendo capaz de integrar o espectáculo

como já vi, se relegou para um divertido papel de elenco de apoio,

como diria o irónico Miguel Falabella. Magda, tome o trem, que é

mais económico, e venha com Saia de Baixo para Portugal. n

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