Os jornais e a Internet

Por a 8 de Setembro de 2000

Luís Penha e Costa
Web-Lab
Administrador Executivo

Há cerca de um ano participei numa série de seminários e congressos de empresas editoriais nas quais a Internet foi apresentada como sendo a forma correcta de desenvolver o negócio dos media no século XXI.

A seu favor tinha que os produtos de media podem ser distribuídos via computador/Internet, o que no caso das publicações eliminaria, em caso extremo, a necessidade das gráficas e dos distribuidores, aumentando os lucros na proporção. Para além disso, conseguir-se-ia chegar a mercados dificilmente atingíveis de outra forma.

Tudo verdade, só que o mercado tem sempre razão e neste caso o público não quer pagar os conteúdos, a publicidade, embora tenha aumentado o seu volume global, tem como principal razão desse aumento o crescimento exponencial do número de sites, e o número de internautas que “clicam” num anúncio tem vindo a cair.

Conclusão: os sites de publicações (com raras excepções) não são rentáveis.

Quais são essas excepções? As publicações cujas notícias ficam obsoletas rapidamente e aquelas que fornecem muitos dados: caso típico de jornais financeiros e de desportos, que dão informações constantes e com muitas estatísticas. Veja- -se o exemplo do “Wall Street Journal”, que é o único jornal de grande tiragem que ganha dinheiro a vender o acesso/assinatura na Internet.

Mas, então, como devem neste momento as publicações aproveitar a Internet? Utilizando-a para tornar a marca mais conhecida e proporcionar uma maior eficiência e produtividade á empresa.

Uma aplicação em tecnologia de informação que suporte uma publicação online deve dispor de funcionalidades de “backoffice” que assegurem todo o processo desde a criação das notícias á sua publicação, o que torna esse processo mais rápido, mais barato e mais ágil. Simultaneamente, a tecnologia a adoptar deve constituir suporte a sub-sistemas de apoio ao negócio, como sejam a venda de publicidade, comunidades que a publicação queira criar e outras interacções que queira proporcionar aos seus internautas.

Em conclusão, se comercialmente a Internet ainda não é rentável para os sites de publicações, em termos de produtividade pode ser a solução de que a sua empresa necessita.

Acresce que quem se posicionar agora para fornecer conteúdos para as muitas dimensões que a Internet vai ter (vídeo, áudio, hiperlinks, etc.) será quem, num futuro próximo, terá a primeira palavra a dizer.

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