Medalhados

Por a 29 de Setembro de 2000

Não há nada que dê mais prazer do que ser recompensado por um grande esforço. Ver no peito uma medalha de ouro, prata ou até de bronze; sentir a emoção de ouvir o hino nacional e as palmas como reconhecimento do trabalho de muitos anos de dedicação é, de certeza, uma sensação inexplicável. Isto tendo presente que os Jogos Olímpicos são cada vez mais competitivos, as disputas mais renhidas e as performances artísticas em modalidades como a ginástica ou os saltos para a água tão difíceis de pontuar que se torna muito complicado distinguir o muito bom do excelente.

Mas as medalhas não se ganham só nos Jogos Olímpicos. Ganham-se todos os dias, nas conquistas profissionais, na produção que se consegue e que nasce da vontade, da energia e do empenho que se põe em cada tarefa. Para algumas pessoas, a melhor recompensa é ouvir uma palavra simpática, para outras é receber simplesmente um obrigado. Mas ainda há muita gente que pensa que a recompensa financeira é mais do que suficiente. E não o é de maneira nenhuma. Basta perguntar a quem costuma ganhar prémios. Albano Homem de Mello, o entrevistado desta semana, um criativo com muitos prémios conquistados em festivais de publicidade, confessa que o momento que lhe dá mais prazer é aquele logo a seguir a ter uma óptima ideia. E os exemplos não ficam por aqui: para os jornalistas, é o olhar para o resultado impresso de uma boa reportagem; para a comunidade católica, a beatificação dos Papas — neste caso, as mais recentes, que vão ser concedidas a Pio XI e João XXIII.

É que não é simplesmente uma questão de medalhas, é um sentimento que vai mais fundo e que tem a ver com a realidade que nos rodeia, uma realidade por vezes bastante adversa, competitiva, onde muitas pessoas têm vontade de fazer muito melhor do que o bom que já existe. É precisamente da luta contra essa adversidade que nascem as boas ideias e se ganham medalhas. É como aquele provérbio chinês, que diz: “Quando há vento, há homens que constroem muros, outros constroem moinhos.” É disso que se trata para conseguir medalhas, é mesmo, e apesar das adversidades, ser capaz de construir moinhos e aproveitar o vento. É apenas uma questão de opção, de decisão e de aproveitamento daquilo que é bom tendo em conta o que não presta. Com esta atitude, a medalha vai, com certeza, chegar no fim do esforço.

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