Poster interactivo

Por a 14 de Julho de 2000

Eu sei que muitos dos nossos leitores devem ter achado que nós endoidecemos quando viram o tamanho do poster que desta vez distribuímos com o jornal. É, de facto, muito grande, é um caderno inteiro (para quem não sabe, são 16 páginas). Foi de propósito. Não imaginam o quebra–cabeças que foi pensar como havíamos de explicar graficamente este mercado aos nossos leitores. Por um lado, julgámos que era importante fazer organogramas dos vários grupos existentes. Por outro, como estes estão todos estruturados de formas diferentes, percebemos que ninguém iria perceber nada. Assim, optámos por jogar pelo seguro. Fizemos, em primeiro lugar, uma tabela onde se pode perceber facilmente os interesses dos grupos nos vários sectores da comunicação social e, por fim, completámos a tabela com os organogramas dos casos mais “bicudos”. Estes são, normalmente, aqueles que têm múltiplas parcerias dentro da estrutura á qual chamamos grupo ou, então, que são participados por empresas que têm simultaneamente interesses em outras áreas, nomeadamente em empresas de novas tecnologias e de telecomunicações. Aliás, foi a pensar neste último problema e também nas vertiginosas movimentações a que estamos a assistir desde o ano passado que optámos por esta dimensão. Tenho a certeza de que em muito menos de seis meses terão de efectuar inúmeras alterações aos quadros agora apresentados: juntar mais publicações, mais empresas de telecomunicações, mais canais, mais portais verticais, mais parcerias… A dimensão do cartaz reflecte o espaço que existe entre o presente e um futuro próximo. Tenho pena de não me ter lembrado de incluir também uma caneta de acetato. Dava jeito. A meu ver, e como as coisas estão, só faz sentido colar um poster deste tipo na parede se permitir interactividade com o seu dono. E por falar em interactividade, há que felicitar a Buondi, a McCann e, já agora, a TV Cabo pelo anúncio interactivo que apresentaram esta semana. Contrariamente ao que muitos pensam, eu acho, ou mesmo, tenho a certeza de que o futuro da televisão e mesmo da internet, enquanto meio de entretenimento, está na televisão interactiva. Qual o melhor sistema, isso é que eu ainda não sei. A única certeza que tenho é que todos os conceitos de comunicação comercial que conhecemos até agora vão ser alterados, implicando uma revolução também ao nível de recursos humanos e processos de trabalho. A televisão interactiva, em termos comerciais, permitirá não só veicular anúncios como também facultar informações adicionais e, principalmente, vender produtos. Os spots serão nada mais do que um alerta para entrar num determinado mundo, e um determinado mundo virtual não será nada mais do que um veículo para levar as pessoas a efectivar a compra de um determinado produto. O nível de eficácia das campanhas vai ser aferido com base em factos, a comunicação vai obrigatoriamente ter de ser pensada de uma forma integrada com as outras disciplinas e a distribuição vai deixar de ter os contornos que hoje apresenta. Fico até com medo de pensar nestas coisas todas. Mas depois, quando penso nas possibilidades desta nova era, julgo que valerá a pena. Vai ser decerto mais divertido e interessante brincar á televisão do que, como hoje, ver televisão.

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