AIND/AIP

Por a 16 de Junho de 2000

O Congresso da AIND e AID, que se realizou a par do congresso de jornalistas lusófonos, não ficou atrás em termos de questões polémicas. A grande notícia do congresso foi que a AIND vai passar a chamar-se AIND – API, ou seja Associação Portuguesa de Imprensa. Esta notícia, que só foi anunciada no dia do jantar de homenagem a Luís Penha e Costa, presidente demissionário da AIND, surpreendeu a audiência. É que, a partir de agora, a AIND também vai aceitar publicações diárias. Segundo João Palmeiro, vice-presidente da AIND e presumivel candidato a presidente nas eleições de Julho, esta opção não é o resultado do sucessivo desinteresse que a Associação de Imprensa Diária tem demonstrado face a uma fusão com a AIND. De acordo com João Palmeiro, embora já não existam restrições á entrada de publicações diárias na associação, se for presidente, e «enquanto tiver razões para acreditar que há uma porta aberta para a fusão com a AID, não vou aceitar publicações diárias ou dissidentes desta última». O responsável explica que esta tomada de posição tem a ver com o facto de, «após a associação ter decidido aceitar publicações digitais, não fazia sentido não aceitar as diárias». Outro dos temas interessantes em debate foi o “Código de Ética” elaborado por Adelaide Paiva e que visa um entendimento entre jornalistas e editores em matéria de deontologia. Este tema, que foi apresentado em conjunto com Diniz de Abreu e reuniu um parecer favorável do juiz Gonçalves Pereira, da Alta Autoridade para a Comunicação Social, foi rapidamente criticado por António Matos, director de “A Capital” e membro do Sindicato de Jornalistas, e por Mário Mesquita, o provedor dos leitores do Público. Se os primeiros defendiam a concertação e, consequentemente, a criação de um órgão que pudesse sancionar os que prevaricam em termos deontológicos, já os segundos julgaram que o patronato não deveria dispor em matéria de deontologia de uma classe e que não deveriam existir sanções para os prevaricadores. Enfim, o consenso nesta matéria parece ser muito dificil. Conclusões, foram nenhumas. Ou melhor, de referir a conclusão do secretário de Estado da Comunicação Social, Arons de Carvalho, no Forum da Imprensa Reginonal. Referindo-se, em primeiro lugar, ás propostas dos representantes da referida imprensa, prometeu analisar com atenção as suas sugestões, nomeadamente a promoção de protocolos especiais com as distribuidoras, o apoio ás edições online, a questão da publicação das actas camarárias e da imprensa missionária. Todavia, foi mais uma vez a questão do porte-pago que gerou polémica. Em resposta a um dos intervenientes no forum, Carlos Morais, director do jornal “O Emigrante”, criticou duramente o governante a propósito da nova política de porte-pago, referindo «não ganhar dinheiro nenhum com este apoio». Arons de Carvalho, visivelmente irritado, fez saber á plateia que o referido órgão de comunicação social deveria ter explicado á plateia que tem um processo a correr devido a infracções decorrentes daquela questão e que «não compreendia como é que o jornal não tinha sido favorecido com a política de porte-pago, se nos últimos dois anos já tinha recebido 400 mil contos por conta desta instituição».

Deixe aqui o seu comentário