Regras da casa

Por a 24 de Março de 2000

Esta é a edição nº 100 do nosso jornal. Em breve comemoraremos dois anos de existência. Como vamos voltar a publicar a edição especial comemorativa do aniversário, escolhendo as notícias que “fizeram” este último ano, optámos por, em termos editoriais, passar ao lado desta efeméride. Tenho todavia, como editorialista, um bom argumento para discorrer um bocadinho sobre o nosso método de trabalho. É que acredito piamente que ao perceberem as regras pelas quais nos regemos, os nossos leitores compreenderão melhor as opções que vamos fazendo ao longo destes números e terão mais condescendência quando surgirem situações com as quais não concordam. A primeira regra é a independência. Com isto não queremos só dizer independência face a grupos ou a pressões dos vários quadrantes, mas sim independência intelectual e livre-arbítrio. Ou seja, pensamos pela nossa cabeça. Aliás, e para simplificar, pensamos. A escolha das notícias e o seu tratamento faz-se tendo em consideração um só objectivo: o interesse do leitor. Tudo o que publicamos reflecte esta nossa preocupação: que todas as semanas o jornal tenha um conteúdo noticioso que satisfaça de alguma maneira todos os que nos lêem, dos publicitários cibernautas aos produtores gráficos. A segunda regra é a procura constante do equilíbrio, tendo em consideração uma perspectiva global deste negócio. Sabemos que um órgão de comunicação social que se move num meio específico, como é o nosso caso, tem uma responsabilidade acrescida. Seria falacioso pensar o contrário. Assim, e mesmo que naturalmente umas áreas sejam mais apelativas do que outras, ou que umas empresas tenham mais sentido mediático do que outras, tentamos sempre evitar que isto tenha expressão no conteúdo global do jornal. Ou seja, tentamos sempre remar contra a maré. Dar expressão a todos, mesmo aos mais pequenos. Mesmo aos mais improváveis, desde que tenham algo de interessante para o leitor. Essa é uma das nossas grandes motivações. Já a terceira regra é o máximo respeito pelas nossas fontes. São elas que nos permitem desenvolver de forma equilibrada a nossa capacidade de análise e apreciação. Por isso, procuramos que a nossa relação tenha como base a sinceridade, a seriedade e a educação. Não enganamos, tentamos na nossa relação seguir critérios morais universais e, finalmente, introduzir um elemento de simpatia e educação na nossa convivência diária. Há quem ache que isto não é importante. Ora, nós achamos que é essencial para a nossa sobrevivência enquanto profissionais e seres humanos. Nem sempre é fácil conjugar estas regras. Eu diria que, ás vezes, até é impossível. Todavia, para evoluir temos que ter ideais. E as regras que construímos não são mais do que uma aplicação prática dos mesmos. Mudando para um assunto mais ligeiro. O nosso cartoonista resolveu, esta semana, fazer uma caricatura nossa. Reparem no resultado. Ninguém reconhece ninguém. Explico quem são para que isto sirva para alguma coisa. O rapaz de óculos escuros é o Ricardo Melo, a rapariga redonda que está dentro do segundo zero é a Susana Veiga. O Fredy Vinagre também está muito favorecido, sentado no primeiro zero. Por cima, está a Marisa Moura, que tem a particularidade de usar umas meias estranhas. A Sofia Castro, que é a mais elegante da redacção, está a fazer de indigente entre o um e o zero. E eu, sou o travesti que está pendurado no número um. Enfim, tem imensa piada.

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