A música como forma de vida

Por a 17 de Março de 2000

Luís Pedro Fonseca, compositor, arranjador e produtor musical da Xangrilá, começou a conviver com a música desde muito novo. Viveu em casa dos avós, onde existia um piano, e cresceu num ambiente onde a música estava sempre presente. Aos 10 anos já pedia dinheiro á avó para ir á ópera. «Ficava completamente arrebatado com os espectáculos de ópera no Coliseu, com aqueles grandes corais e orquestrações», recorda. Quando entrou para o liceu, a avó – pessoa que logo percebeu que Luís Pedro Fonseca tinha um jeito especial para a música – ofereceu-lhe uma guitarra. «Assim que aprendi as primeiras posições comecei logo a fazer música original», ri-se. Totalmente embrenhado na música, Luís Pedro Fonseca consegue, ainda assim, acabar o liceu, ingressando de seguida no Conservatório Nacional, que frequenta durante quatro anos. É nesta época que começa a envolver-se em pequenos grupos musicais que tocavam em festas. Mais tarde, quando inicia o serviço militar, compõe uma música para Paulo de Carvalho intitulada “Ana”. «A música foi um êxito na voz de Paulo de Carvalho e foi aí que comecei a ser notado», diz. Terminada a tropa, Luís Pedro Fonseca conhece José da Ponte, através de Thilo Krasmann, e é este que inicia ambos na área da publicidade. Das centenas de jingles publicitários que já fez, recorda especialmente o primeiro: um anúncio para a Kodak, o da conhecida assinatura “Para mais tarde recordar”. No âmbito da música, aquilo que mais gosta de fazer é compor. «O que mais me atrai na música é o poder criativo. E o de que gosto mais é a composição, seja nos discos ou na publicidade», afirma. Reconhece, no entanto, que a publicidade constitui sempre uma novidade e que a tendência é para «surpreender», desde que os clientes o permitam. Além do mais, «o que é mais apaixonante e difícil na publicidade é poder contar uma história, do princípio ao fim, em 20 segundos», explica. Actualmente com 50 anos, Luís Pedro Fonseca foi fundador do grupo Salada de Frutas com Lena d’Água. Após a sua saída do grupo, começa a trabalhar com Rão Kyao. Compõe ainda várias partituras musicais para peças de teatro. «Trabalho com Carlos Avilez há cerca de 20 anos e já compus para ele cerca de 15 peças para o Teatro Experimental de Cascais», adianta. No final dos anos 80 funda a Xangrilá, editora e produtora de som vocacionada essencialmente para trabalhos publicitários. Uma empresa gerida por quem vive de e para a música.

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