Santíssima Trindade

Por a 10 de Dezembro de 1999

Os católicos têm cada vez menos devotos pelo mundo fora. Nos países do primeiro mundo como o nosso, há cada vez menos praticantes. Nos países em vias de desenvolvimento, há cada vez mais concorrência. Em África, por exemplo, as diversas igrejas protestantes fazem concorrência feroz á influência do catolicismo. As razões são óbvias. A questão da campanha das Amoreiras não é senão uma metáfora da sua actuação. Para mim, como para o comum dos portugueses – católicos, apostólicos, romanos -, a campanha das Amoreiras até era muito devota. O insulto só existe para quem quer ser insultado. Passo a explicar: Dificilmente encontrariam imagens mais bonitas da Nossa Senhora e de São José. Um relance áquelas imagens basta para nos lembrarmos do significado desta época natalícia e para nos orgulharmos de sermos baptizados. Já a questão da alface pode ser vista de duas maneiras: os manifestantes acham que a alface simboliza o centro comercial. É um sacrilégio transformar o Menino Jesus numa alface ou num centro comercial. Ora, eu penso que sacrilégio é pensar que o Menino Jesus pode ser alguma vez transformado. Porque é Deus. E como Deus que é, é tudo. São os presentes que nós compramos para oferecer aos nossos amigos, é o espírito com que vivemos esta época. O facto de nos recordar a história bíblica através da publicidade só é meritória para aqueles que a produziram. Devíamos era ficar felizes. Mas não. Os católicos – que nem sei que católicos são – revoltam-se. Uns quantos obrigam milhões a perder esta imagem. Preferem que as campanhas de Natal se resumam ao Pai Natal, á árvore de Natal e a uns símbolos que ninguém sabe de onde vêm, porque, aliás, até são nórdicos e protestantes. Não querem ter nada a ver com isso. Destacam-se da realidade como se esta não existisse. Preferem ser dois e muito devotos do que ser milhões e algo devotos. Aplica-se a teoria da espiral do silêncio. Ou seja, os que querem, querem tanto, fazem tanto barulho, que calam os outros. O público pensa que é uma maioria que pensa assim. Muitos, porque não querem ir contra a maioria ou se calam, juntam-se a ela, sem pensar. Mas o problema é que não é uma maioria, é uma minoria ruidosa. O Centro Comercial das Amoreiras foi nesta conversa e retirou os cartazes. Deviam conhecer esta teoria. É importante para perceber fenómenos como este, como também para analisar as questões polémicas e as posições extremistas que há no mundo com o devido distanciamento. Tenho pena que a Igreja Católica fique associada a posturas deste género. Tenho pena também que estes católicos se afastem da realidade com tamanha leviandade. É por esta razão que a maioria das pessoas não pensa sequer no significado desta época. E também é por esta razão que julgo que a Igreja Católica, se quer continuar a constituir uma referência na nossa cultura, tem de mudar.

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