Edson, e ainda a alface…

Por a 17 de Dezembro de 1999

Agências, preparem-se! Vem aí mais um sério concorrente, a Edson, FCB. Não é que houvesse alguém que não estivesse á espera, nem que não fosse já um concorrente. Mas, na realidade, não é todos os dias que juntamos o nosso nome artístico a uma multinacional (ainda por cima, á frente!). Já aconteceu, mas hoje em dia é díficil. Não conheço bem o Edson Athayde. Gosto especialmente do trabalho que tem vindo a desenvolver para os produtos da Lusomundo e também das histórias do Olavo. Lembro-me de uma entrevista que fiz ao presidente internacional da FCB por ocasião da escolha do publicitário para dirigir a agência. Via-se que tinha uma grande admiração por ele. Na altura, perguntei-me onde é que estaria a verdade. Já tinha ouvido falar imenso da personalidade, não necessariamente só bem: que tinha um feitio assim, que era assado. O facto de a FCB e a Edson Comunicação não se terem juntado ás outras agências para apoiar o projecto de Cannes também não me pareceu muito solidário. Mas, enfim, cada um tem as suas razões… Depois, á medida que fomos falando, achei que a sua postura não correspondia á imagem que tinha. Também fiquei um pouco transtornada com a última crónica do seu recente livro, de nome “A vida é feita de instantes”. Continuo sem conseguir decifrar muito bem o seu carácter. Sei, por experiência própria, que o nosso mau ou bom feitio não fica necessariamente retratado na prosa jornalística. Ficamo-nos pelas intenções. Mas a intenção também vale… E a obra está á vista. Mudando de assunto. Na semana passada escrevi um editorial sobre a questão da alface. Agora já passou tudo. Até é maçador voltar a falar da mesma coisa. Mas como tenho o privilégio de poder escrever todas as semanas neste espaço, aproveito para responder a algumas críticas que me foram formuladas por pessoas com as quais indirectamente simpatizo. Eu sei que isto é muito pessoal, mas como estamos no Natal, espero que não levem a mal. Vamos então á acusação: «Tem um problema de fé mal resolvido». É verdade. Acertou no ponto. De facto, tenho. Tenho muita fé, mas não sei em quem. Espero no entanto que esta minha incerteza quanto ás questões metafísicas não prejudique a nossa muda e cordial relação. As únicas certezas que tenho e temos aqui no nosso jornal é que fazemos o possível e, por vezes, o impossível por informar correctamente os nossos leitores. O editorial não é mais do que um exercício de reflexão. Reflecte, de forma mais livre e informal, o contexto no qual estamos inseridos. Vamos então á consequência: «Nunca mais vou ler o editorial.» Tenho pena. Mas percebo que isto quer dizer que costumavam ler. O que para mim é uma felicidade. Se, por um lado, acho que qualquer matéria livre é interessante – na medida em que, como jornalista, o editorial não é se não uma síntese das influências que vamos tendo ao longo da semana -, por outro, fico sempre agradavelmente surpreendida quando sei que tenho audiência de qualidade. Fico triste se levarem avante tão dura sentença.

Deixe aqui o seu comentário