Dois + um temas

Por a 26 de Novembro de 1999

A questão do porte-pago na imprensa regional é de facto um pau de dois bicos. Os que são contra a sua distribuição indiscriminada têm toda a razão, na medida em que são muitos mais os que usufruem de subsídio sem contribuir para o prestigio da dita imprensa. É quase escandaloso ver equiparadas newsletters gratuitas, manifestos políticos ou jornais de paróquia a publicações que, devido ao esforço de profissionais do sector, contribuem para a nobilização e credibilidade da imprensa regional. Por outro lado, são muitas vezes estes jornais – paroquiais, por exemplo – os únicos que cobrem minimamente as notícias locais. Aliás, como todos nós sabemos, tal como nos tempos medievais, as paróquias têm em várias regiões do país mais capacidade organizativa e mobilizadora do que as Juntas de Freguesia. Seria criminoso deixar de apoiar este tipo de iniciativas assim de um momento para o outro. Qualquer solução deveria passar por uma análise e distinção prévia daquilo que existe, para assim se poder distribuir justamente o orçamento em jogo. Por outro lado, e tendo em consideração todos os atrasos e anomalias que são referidos, julgo que esta questão, ironicamente, só será resolvida quando for solucionada a questão regional. Enquanto não houver uma politica eficaz de descentralização do poder, enquanto não existirem mecanismos burocráticos eficazes ao nível regional, será muito difícil conseguir a eficácia desejada. Leiam o dossier sobre o tema e tirem as vossas conclusões. Mudando de assunto, esta semana há muitas novidades no mundo da publicidade. Miguel Fernandes abandona o cargo executivo na Euro.RSCG, a Jazztel fica com a Bates, Mike Olsen, um homem do marketing, vem dirigir a Initiative Media, a Interact funde-se com a Menano e a Six, passando assim a ultrapassar a barreira do milhão de contos de facturação. Gosto especialmente desta última notícia, não só porque Rodrigo Silva Gomes, o júnior, está a liderar o processo, o que – felizmente ou infelizmente para ele – nos deixa curiosos em relação ao desenvolvimento da agência, como também porque, por uma vez nestes últimos anos, vejo uma fusão entre três empresas de publicidade portuguesas tendo como base não só o desenvolvimento do negócio como também a resposta á entrada, meio inesperada e sinuosa, da Conquest em Portugal. Não querendo ser nacionalista, nem tomar o partido de ninguém visto não conhecer os meandros do negócio, desejo-lhes o maior sucesso. É bom pensar que as alternativas não passam necessariamente pela fusão com um grupo internacional. Para acabar, só mais uma referência, que tem também a ver com a questão da comunicação empresarial de que falámos na semana passada. Há uns meses, Miguel Fernandes e Ricardo Monteiro deram-nos uma entrevista dizendo que iriam exercer uma presidência conjunta. Agora, Miguel Fernandes anuncia o seu “afastamento” da gestão da Euro.RSCG, explicando que esta mudança já estava a ser preparada há mais de ano. Resumindo, tudo foi bem planeado e discutido, inclusive a divulgação do acontecimento. No caso Interact/Conquest, passa-se exactamente o contrário. De repente, é anunciado que um dos sócios vai representar a Conquest, um dos fundadores sai para outra agência, os restantes fazem por encontrar novas soluções. Nota-se grande desentendimento nesta situação. De facto, nos dois casos, ninguém mentiu. Uns foram apenas mais profissionais e transparentes do que outros.

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