Media Capital lançou o “Independent Times”

Por a 1 de Outubro de 1999

Assistimos no último fim-de-semana a uma mini-revolução no panorama da imprensa nacional. “O Independente” entra num ambicioso projecto de Publishing, consubstanciado, na primeira semana, pela oferta de quatro revistas cobrindo distintos vectores editoriais, de visível qualidade gráfica e com claros objectivos de gestão: alargamento do grupo-alvo, aumento das receitas publicitárias e, consequentemente, do bottom-line do jornal. No desempenho das funções de planeamento e compra de espaço publicitário, o alargamento da oferta potencia sempre uma maior adaptabilidade da mensagem a um determinado grupo-alvo, bem como um maior músculo negocial no estabelecimento do preço. Ao contrário do que pode parecer á primeira vista, é muito reduzida a oferta de espaço publicitário para determinados públicos no nosso país. Por isso, recorrentemente, acontece comprarmos espaço em meios que não seriam considerados caso a variedade fosse maior. Aliás, qualquer comparação, ao nível europeu, de capitação de número de títulos – revistas e jornais – por milhão de habitantes mostra bem o subdesenvolvimento português. Se ao critério da classe social adicionarmos outros, que não constem nomeadamente da matriz de classificação Bareme, como a consideração do estilo de vida ou a dimensão do agregado familiar, poderemos entender a complexidade de bem escolher e negociar com tão reduzida oferta. Era importante que estes projectos vingassem. São muitas as experiências falhadas nos últimos anos, tanto de grandes como de pequenos grupos, no lançamento intempestivo e imprecatado de novos produtos, aportando descrença e perda de vontade de experimentação por parte dos investidores. Contudo, faço aqui um reparo estrutural á concepção destes projectos: enquanto a televisão custar um escudo por contacto e se mantiver a pressão publicitária actual sobre os três canais, que tende a perpetuar-se, seria conveniente e muito desejável uma maior competitividade em termos de “pricing” publicitário destes novos produtos. Por outro lado, a ligação a um produto de substantivas tiragens torna estas publicações passíveis de um interesse comercial que nunca conseguem atingir enquanto publicações de milieu. Em Portugal, qualquer anunciante da indústria livreira – autores, editores, distribuidores ou retalhistas – não tinha, até hoje, onde investir quando a comunicação fosse business to business ou para o grande consumo. Para citar dois exemplos, a revista do C. de Leitores ou o Jornal de L., sendo bons produtos editoriais, não cobrem com a desejada eficácia e notoriedade comercial e editorial a indústria, outrossim um núcleo importante de intelectuais e “fanáticos da modalidade”, mas que estão, reconhecidamente, de fora da estrutura de decisão dos comandos daquela.

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