Concursos, porque não?

Por a 27 de Agosto de 1999

Concursos: um tema que, quanto a mim, continua a justificar que sobre ele não deixemos de meditar. Sendo verdade que, na sua expressão latina, concurso é a “acção de correr livremente”, é precisamente nesta adjectivação que encontro o principal motivo influenciador da aceitação ou rejeição de um concurso: importa que ele seja livremente disputado! Dando de barato que já nem vale a pena falar de concursos que não se nos apresentem com essa garantia, a questão fica limitada aos que se afiguram de livre e, consequentemente, honesta disputa. Então, sim: colocam-se ás agências duas alternativas de participação: 1. Pontual: Quando se tem consciência de que, livremente, podemos corresponder ao briefing proposto, com a consciência de que as nossas soluções apenas poderão ser secundarizadas por outras e melhores propostas connosco concorrentes; 2. Continuada: Quando, por razões que não devo adjectivar, as agências “vão a todas”, na expectativa de “facturar mais algum”. É óbvio que estou a referir-me, não exclusivamente mas principalmente, a concursos públicos: a estes, vai quem quer, seja simplesmente para expandir o negócio, seja para investir na perspectivade valorização do seu portfólio. Porque, nos concursos “privados”, digamos assim, a participação, sendo condicionada aos critérios de quem faz a selecção, é, desde logo, selectiva. Isto é: o próprio convite já é um indicador de predilecção, enquanto a ausência de convite representa, digamos assim, uma penalização. E, aqui, creio que se justifica colocar em consideração uma questão elementar: predilecção e penalização – porquê? Quais foram os critérios da preferência ou da rejeição? Por exemplo: como pode explicar-se o facto de, na selecção para o concurso Porto 2001, ter sido excluída a maior agência portuguesa, número 1 do ran king nacional há cerca de duas dezenas de anos? E que não se limita a ter (como era exigido para participação no concurso) uma delegação do Porto, mas sim uma agência autónoma, a McCann Canal 1, também ela líder no mercado do Norte, escolhida, nomeadamente, pela Fundação de Serralves, a grande referência cultural não apenas do Porto como do Norte do país. E que, além disso, alarga a sua oferta de serviços ás cinco Dicisões do Grupo McCann Portugal, especializadas em todas as áreas de comunicação não publicitária. Torna-se francamente difícil admitir que tal exclusão não obedeceu, apenas, a critérios arbitrários e não a desconhecimento destes factos. Desconhecimento, e bem curioso, é o que demonstra o Cenestap, num fax dirigido a 18 agências nacionais para apresentação do “Projecto Internacional Vintage Moda – Briefing Publicitário”: sob a designação de cada uma das agências, só numa delas surge preenchido o espaço reservado para endereçamento A/C: Edson Athayde. Nas restantes 17 agências, o Centro de Estudos Têxteis Aplicados, estranhamente, não conhece ninguém e não se deu ao trabalho de encontrar o nome de alguém… Se, até pela frequentemente provada arbitrariedade da selecção, esses “critérios selectivos” sugerem, sobretudo, uma “manobra de diversão” a encapotar a pré-opção por uma das agências seleccionadas, não descortino nenhuma razão para deixar de defender a preferência pela adjudicação directa. Porque á limpidez da opção acresce o mérito da confiança de quem adjudica nos seus próprios critérios de exigência – e, não menos importantemente, aumenta a responsabilidade da agência adjudicada na prestação dos serviços contratados. Contratados por méritos provados e a provar, ás claras, sem favores!

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