Morais propõe assembleia-geral

Por a 16 de Julho de 1999

Aentidade «independente» que Paulo Morais propõe para fiscalizar a audimetria compreende «uma assembleia-geral que represente todas as sensibilidades, nomeadamente consumidores», e que possua «um órgão técnico que controle o sistema». O professor de Estatística desfia as suas críticas e aponta que «neste momento os dados da audimetria só podem ser utilizados com software da Marktest» e que os mesmos deveriam «poder ser usados em Excel, por qualquer pessoa. Há agências que têm software próprio, mas têm de pagar a adaptação dos dados», adianta. Barata Simões, presidente da CAEM, assegura que os raw-data (dados brutos) têm de ser distribuídos de forma a serem lidos ou descodificados pelo software de qualquer empresa. O presidente da Marktest, Luís Queirós, por seu turno, argumenta dizendo que «é impossível ter raw-data em Excel» e garante que «o cliente só paga o custo de conversão – um preço ridículo – se tiver um software com um formato esquisito». Afirmando que «a Marktest já aumentou os preços» que se tinha comprometido a não agravar, Paulo Morais sustenta que a empresa «já cobrou ás agências o preço da auditoria que ainda não começou». Porém, tanto o presidente da CAEM como o responsável da Marktest afirmam que o processo já teve início e que os auditores vão entrar em campo. Preços O acordo com o mercado estabeleceu que a empresa monopolista não pode aumentar os preços numa percentagem superior ao valor da inflação. «Os preços do raw-data são ridiculamente baixos», defende Queirós, explicando que este ano não procedeu a aumentos. O empresário afiança que a sua actividade «é controlada diariamente pela CAEM, que pede todas as informações que entende. Neste momento temos um manual de serviço com mais de 300 páginas que podemos fornecer ao dr. Paulo Morais», frisa Luís Queirós. O documento colocado á apreciação da ACCS diz ainda que devia haver três tipos de operadores: os fornecedores de dados, os de software e os fornecedores de elementos de controlo dos resultados anteriores «através da recomposição das campanhas», actividades que estão concentradas no grupo de Luís Queirós. O texto argumenta que «uma vez que são os próprios fornecedores de dados que os auditam, a avaliação da eficácia da publicidade não se faz». Os responsáveis da APDC revelam preocupação por não haver «quaisquer estudos de comprovação independentes» sobre a audimetria. «A influência dos estudos de audiência na actividade política é patente. Os foruns de debate político são hoje os canais de radiodifusão televisiva», frisa a APDC.

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