Eleições

Por a 11 de Junho de 1999

Gostaria de vos informar que no próximo domingo é suposto ir votar para eleger os deputados ao Parlamento Europeu. Eu sei que não se percebeu muito bem se teríamos de ir votar, nem em quem, nem porquê, mas seria triste se as pessoas não participassem. A campanha eleitoral tem sido um dó. Imagino que seja porque os partidos estão sem dinheiro ou, então, estão a poupar para as legislativas. Comecemos pelo partido do Governo, o PS. Se não tivessem um “produto” com tanta notoriedade, Mário Soares, os resultados desta campanha seriam catastróficos. Já repararam nos cartazes que estão na rua? Nem conseguiram juntar os candidatos para um fotografia de conjunto. Tudo recortado, as pessoas com um ar sinistro? Enfim, horrível. Mais valia ficarem-se pelos outdoors com aqueles jovens de sorriso Pepsodent. Eram bem mais apelativos. Ou, então, juntarem o único produto vendável aos jovens apelativos. Por exemplo, Mário Soares a jogar xadrez com a modelo. Era bem mais interessante do que Mário Soares recortado ao lado de umas pessoas que não anunciam nada de interessante. Já o PSD esteve menos mal. Conseguiu, através da criatividade, chamar a atenção. O primeiro cartaz – “A rosa murchou” – merece os nossos cumprimentos. E o que se lhe seguiu – “Ele já lá está, agora é preciso quem trabalhe” – é genial. Pena é que os cofres do partido estejam tão vazios. “Cortar a direito”, com a cara do Paulo Portas. Desculpem-me, mas só me dá vontade de rir. O homem que mais cortes enviesados fez até agora tem o descaramento de dizer que quer cortar a direito. Também não se percebe bem porque que é que está uma onda por detrás. Deve ser para o associarmos ás forças da natureza. Interessante, mas demasiado básico. Nestas coisas, convém que a mensagem se coadune minimamente com o conteúdo. Até parece que os autores se esquecem de que o eleitor também é inteligente. Do outro lado da barricada, o seu irmão, Miguel Portas, peca pelo oposto. Eu percebo que aquele retrato a preto e branco retrata o despojo desta nova esquerda. Mas também não exageremos. Quanto ás outras forças, nem dei por elas. Chamou-me a atenção a cabeça de lista do CDU. Talvez por ser mulher e ter assim o cabelo arruivado. Também me lembro de um senhor do MRPP que fazia campanha junto ao rio Trancão e era contra os tachos. Acho que nunca vai ser contemplado com algum. A única originalidade entre os mais pequenos foi, para mim, o tempo de antena do Partido Popular Monárquico. Um senhor de apelido Coelho, cabeleira mozartiana e mangas arregaçadas, falou-nos das suas preocupações, acompanhado por um ecrã que passava as imagens e frases mais significativas do discurso. Enternecedor. Pelo menos, esteve lá e disse de sua justiça. Merecia que lhe montassem toda uma estratégia de comunicação pro-bono. Enfim, estou confusa e já só temos dois dias para decidir.

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